Especial férias: Pinacoteca abriga seleção de obras de arte moderna, em SP

As férias de janeiro são uma ótima oportunidade para visitar museus e ampliar a lista de programas culturais – muitos com exposições imperdíveis e entrada gratuita. A Pinacoteca de São Paulo, local que vale a visita livre e com pausa para um café, apresenta a mostra “Galeria José e Paulina Nemirovsky – Arte moderna”, que amplia a seleção do museu sobre o Modernismo, após quatro anos em cartaz na Estação Pinacoteca.

Distribuída por cinco salas no primeiro andar do edifício da Luz, a exposição reúne uma seleção de mais de 100 peças dos acervos da Pinacoteca, Fundação José e Paulina Nemirovsky e da Coleção Roger Wright.

A mostra faz a conexão entre a exposição do segundo andar “Arte no Brasil: Uma história na Pinacoteca de São Paulo” e a exposição “Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright”, aberta recentemente. “Essa é uma exposição única e especial, que percorre grande parte do cenário histórico-cultural brasileiro do século XX. Sem contar que ampliamos de 49 para 110 obras essa mostra, todas emblemáticas e de reconhecimento internacional. Estamos muito satisfeitos de oferecer esse panorama da arte brasileira para os visitantes do museu”, destaca a curadora Valéria Piccoli.

No primeiro andar, o enfoque é para importantes momentos do período moderno no Brasil: as inovações formais do primeiro Modernismo (de Tarsila e Lasar Segall), a preocupação com questões sociais que marca a obra de Portinari e Di Cavalcanti, o interesse pelos artistas autodidatas ou treinados fora das academias de arte (como Volpi, Pancetti e José Antonio da Silva), a emergência da abstração lírica e geométrica.

A Pina é, atualmente, o único museu de São Paulo que conta com 700 obras relacionadas à História da Arte no Brasil, do período colonial até os anos 1970.

Para ver de perto:

Tarsila do Amaral
Antropofagia, 1929
Em janeiro de 1928, Tarsila presenteou o marido Oswald de Andrade com a pintura Abaporu, que o inspiraria a redigir o Manifesto Antropófago, documento seminal do Modernismo brasileiro, no qual o autor propõe uma assimilação crítica do legado cultural europeu e seu reaproveitamento para a criação de uma arte genuinamente brasileira.

A pintura Antropofagia, de 1929, como indica o título, é uma assimilação das duas obras anteriores: figura e fundo de Abaporu e A negra se mesclam, formando um casal primevo, em uma paisagem densa e silenciosa. As imagens inspiradas em um Brasil arcaico, pré-cabralino, aliadas à utilização de uma linguagem moderna, criaram uma solução possível para um paradoxo presente na prescrição antropofágica: a necessidade de conciliar aspectos primitivos e modernos a um só tempo.

A pintura São Paulo, de Tarsila do Amaral - Imagem: Isabella Matheus/Reprodução
A pintura São Paulo, de Tarsila do Amaral – Imagem: Isabella Matheus/Reprodução

Ernesto de Fiori
Homem andando, entre 1936 e 1937
São poucos os dados precisos sobre a formação artística de Ernesto de Fiori. Sabe-se que em 1904 ingressou na Akademie der Bieldenden Künste de Munique, na Alemanha, onde frequentou aulas de desenho. Desde o início interessado em pintura, mas dedicado, sobretudo, à escultura, chegou ao Brasil, em 1936, vindo de Berlim, e começou a se firmar no ambiente artístico ao participar de mostras locais.

A figura do homem andando ou em marcha está presente em seu trabalho desde 1920 até aproximadamente 1938. Mas esta peça tem as suas especificidades no modo como o homem projeta o seu corpo à frente, com cabeça e tronco lançados para a esquerda, em passo largo, sugerindo velocidade e obstinação. A superfície áspera, desigual, com aspecto inacabado, e a simplificação das formas, sem a divisão dos dedos das mãos ou dos pés, reforçam a rapidez e o dinamismo da escultura, desde a ideação, passando pela moldagem da matéria. O resultado é uma imagem urgente, que insinua um processo em curso, ou no mínimo uma situação que aponta para transformações.

Volpi
Fachada, c. 1955
Foi depois da viagem a Minas Gerais, 1944, que Volpi começou a pintar com têmpera. Juntamente com a troca de técnica, vê-se, pouco a pouco, ao longo do final da década de 1940 e início da de 1950, sua pintura se fechar, selecionando certos elementos formais, como as fachadas das casas, que até então eram representadas em sua totalidade.

As famosas bandeiras começaram a ser representadas no início da década de 1950 e reaparecerão inúmeras vezes em seu trabalho, ora como bandeirinhas, ora como formas geométricas puras sofrendo todo o tipo de manipulação construtiva nas mãos do artista. Mas nem sempre a rigidez formal impera: em Fachada, por exemplo, vemos uma composição bastante animada, de cunho mais popular.

Bananal, de Lasar Segall -Imagem: Isabella Matheus/Reprodução
Bananal, de Lasar Segall -Imagem: Isabella Matheus/Reprodução


Serviço
“Galeria José e Paulina Nemirovsky – Arte moderna”
Quando: até 26 de agosto | de quarta a segunda, das 10h às 17h30
Onde: Pinacoteca de São Paulo – Praça da Luz, 2 – Centro
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) | Grátis aos sábados | Crianças com menos de 10 anos e adultos com mais de 60 anos não pagam